Na medicina popular do Nordeste, a raiz do mandacaru (Cereus jamacaru) é preparada em chá (infusão ou decocção), principalmente para problemas renais e como diurético. Esse uso não está comprovado em humanos, e estudos com animais e em laboratório apontam riscos que merecem atenção.
Aviso: este conteúdo é informativo e não substitui a orientação de um médico ou profissional de saúde. Não use plantas para tratar doenças por conta própria.

O que é o mandacaru?
O mandacaru é um cacto alto, em forma de candelabro, conhecido também como cardeiro ou jamacaru e símbolo da Caatinga. Para conhecer a planta, as flores e o fruto, veja o post Fruto do mandacaru: pode comer? Benefícios e para que serve.
Para que a raiz do mandacaru é usada na medicina popular?
A literatura científica que reúne os usos populares do mandacaru cita a raiz, em infusão ou decocção, para distúrbios renais, digestivos, respiratórios e hepáticos. Há décadas, populações do Nordeste usam a raiz em chá como diurético. Outras partes da planta aparecem em usos populares como antibiótico, analgésico e anti-inflamatório e para tosses, dor de dente e úlceras.
São usos tradicionais, passados de geração em geração. Eles mostram a importância cultural da planta, mas não provam que o chá seja eficaz ou seguro.
O que a ciência já estudou sobre o mandacaru?
Os estudos disponíveis são principalmente de laboratório e com animais. Alguns resultados:
- Dor e inflamação: em testes com animais, extratos aquosos e etanólicos do mandacaru tiveram ação anti-inflamatória e analgésica.
- Tumores: um extrato hidroalcoólico reduziu a viabilidade de células de sarcoma em laboratório e inibiu cerca de 86% do crescimento de tumores em camundongos. São testes pré-clínicos e não mostram que o mandacaru trate câncer em pessoas.
- Toxicidade aguda: em um estudo, o extrato bruto, em doses menores, teve efeito estimulante no sistema nervoso central e, em doses mais altas, efeito depressor.
A própria literatura descreve os estudos sobre o mandacaru como escassos e pouco divulgados. Não encontramos estudos clínicos em humanos que confirmem o uso da raiz para os rins.
Riscos e cuidados com o chá de mandacaru
- Gravidez: em um estudo da UFPE com ratas gestantes, o extrato não foi tóxico para as mães, mas interferiu no desenvolvimento embrionário no primeiro terço da gestação. Por precaução, grávidas e quem pretende engravidar devem evitar.
- Dano ao material genético: em um estudo com ratos, um extrato etanólico de mandacaru mostrou potencial genotóxico, isto é, capacidade de causar danos ao DNA das células.
- Tratamento contra o câncer: no estudo do extrato hidroalcoólico, o mandacaru reduziu em laboratório o efeito citotóxico da cisplatina, um quimioterápico. Quem faz tratamento oncológico deve conversar com o médico antes de usar.
- Doses e interações: não há dose segura estabelecida, e faltam dados sobre efeitos colaterais, contraindicações e interações com medicamentos. Por isso, não indicamos quantidades nem receitas neste post.
- Problemas renais: dor nas costas, sangue na urina, febre ou redução da quantidade de urina precisam de avaliação médica. Trocar o tratamento por chá pode atrasar o diagnóstico.
- Meio ambiente: a retirada da raiz tende a comprometer a planta. O mandacaru é abrigo e alimento para a fauna da Caatinga, como o sofrê e o periquito-da-caatinga.
E o fruto do mandacaru?
O fruto é diferente da raiz: é comestível e pode ser consumido in natura ou em suco. Veja os detalhes no post Fruto do mandacaru: pode comer?.
Perguntas frequentes sobre a raiz e o chá de mandacaru
Para que serve a raiz do mandacaru?
Na medicina popular do Nordeste, a raiz é usada em chá para problemas renais, como diurético e para distúrbios digestivos, respiratórios e hepáticos. Esses usos não estão comprovados em humanos.
O chá de mandacaru é bom para os rins?
Popularmente, é usado como diurético e para problemas renais, mas não encontramos estudos em humanos que confirmem o benefício. Quem tem problema nos rins deve procurar um médico.
O chá de mandacaru faz mal?
Estudos com animais apontam possíveis riscos, como potencial genotóxico em um extrato etanólico e interferência no desenvolvimento embrionário em ratas. Não há dose segura estabelecida.
Grávida pode tomar chá de mandacaru?
Não é recomendado. Em um estudo com ratas gestantes, o extrato interferiu no desenvolvimento embrionário no primeiro terço da gestação. Grávidas devem conversar com o médico antes de usar qualquer planta medicinal.
Como é feito o chá de mandacaru?
Na medicina popular, a raiz é preparada em infusão ou decocção. Por falta de estudos de segurança, não indicamos quantidades nem recomendamos o uso sem orientação profissional.
Pode comer o fruto do mandacaru?
Sim, o fruto é comestível. Veja o post Fruto do mandacaru.
Fontes consultadas
- Uso medicinal do Cereus jamacaru DC. (mandacaru): uma revisão, Revista Científica Multidisciplinar (RECIMA21)
- Cereus jamacaru D.C. Hydroalcoholic Extract Promotes Anti-Cytotoxic and Antitumor Activity, Pharmaceuticals, 2018
- Genotoxicity and pharmacokinetic characterization of Cereus jamacaru ethanolic extract in rats, Bioscience Reports, 2019
- Cereus jamacaru DC: efeito toxicológico sobre o desenvolvimento embrionário de Rattus norvegicus, UFPE, 2010
- Cereus jamacaru, Fitoterapia Brasil
- Ethnomedical uses, biocompounds and biological properties of Cereus jamacaru DC.: a comprehensive review, Natural Product Research
Última atualização: outubro de 2026.




[…] O mandacaru é um cacto alto, em forma de candelabro, também chamado de cardeiro ou jamacaru. Pode chegar de 5 a 8 metros de altura, e há relatos de exemplares de até 12 metros. As flores são brancas, abrem à noite e murcham logo depois do amanhecer, e os frutos são avermelhados e comestíveis. É um dos símbolos da Caatinga. Veja também: Fruto do mandacaru: pode comer? e Raiz e chá de mandacaru. […]