plantas da caatinga

Plantas da Caatinga: 7 espécies com nomes populares e científicos

As plantas da Caatinga são adaptadas ao clima semiárido: guardam água em caules, folhas e raízes e resistem a longos períodos de seca. Neste guia você conhece 7 espécies, com nome popular, nome científico e curiosidades: mandacaru, xique-xique, umbuzeiro, licuri, gravatá, umburana-de-cheiro e pinhão-bravo.

Resumo: 7 plantas da Caatinga

PlantaNome científicoTipoDestaque
MandacaruCereus jamacaruCactoFlores noturnas e fruto comestível
Xique-xiquePilosocereus polygonus (nome em discussão)CactoTouceiras espinhosas que abrigam animais
UmbuzeiroSpondias tuberosaÁrvoreRaiz que armazena água e o fruto umbu
LicuriSyagrus coronataPalmeiraAmêndoa, óleo e alimento da fauna
GravatáAechmea blanchetianaBroméliaFolhas que guardam água
Umburana-de-cheiroAmburana cearensisÁrvoreCasca aromática, com cumarina
Pinhão-bravoJatropha mollissimaArbusto ou árvore pequenaEndêmica da Caatinga, atrai abelhas nativas

Cactos da Caatinga

1. Mandacaru (Cereus jamacaru)

Mandacaru (Cereus jamacaru) na Caatinga

O mandacaru é um cacto alto, em forma de candelabro, também chamado de cardeiro ou jamacaru. Pode chegar de 5 a 8 metros de altura, e há relatos de exemplares de até 12 metros. As flores são brancas, abrem à noite e murcham logo depois do amanhecer, e os frutos são avermelhados e comestíveis. É um dos símbolos da Caatinga. Veja também: Fruto do mandacaru: pode comer? e Raiz e chá de mandacaru.

2. Xique-xique

Planta xique-xique, cacto da caatinga

O xique-xique é um cacto baixo, de caule cilíndrico, que forma moitas ou touceiras e também é chamado de alastrado. Cresce em solos rasos e pedregosos, principalmente em lajedos, e tem espinhos grandes e pontiagudos, de até cerca de 10 cm. Os frutos ficam avermelhados quando maduros e são comestíveis, e a planta frutifica entre março e outubro. Sob seus ramos fazem toca animais como o preá e o rato-cabudo. Veja o post Xique-xique e seus benefícios.

Sobre o nome científico: o blog usa Pilosocereus polygonus, mas outras fontes tratam o xique-xique como Pilosocereus gounellei, hoje também classificado como Xiquexique gounellei. A classificação ainda é discutida.

Árvores, arbustos e palmeiras

3. Umbuzeiro (Spondias tuberosa)

Umbuzeiro (Spondias tuberosa) com frutos

O umbuzeiro tem copa em forma de guarda-chuva e chega a cerca de 7 metros, com exemplares maiores. É conhecido como a “árvore sagrada do sertão”, expressão atribuída a Euclides da Cunha. O nome vem do tupi “ymbu”, “árvore que dá de beber”, por causa das raízes que armazenam água. O fruto, o umbu, é consumido in natura e usado em polpas, sorvetes, geleias e doces. Veja o post Umbuzeiro, a árvore sagrada do sertão.

4. Licuri (Syagrus coronata)

Pé de licuri (Syagrus coronata), também chamado de ouricuri ou nicuri

O licuri é uma palmeira que dá frutos em cachos grandes e também é chamada de ouricuri, nicuri e coco-cabeçudo. Da amêndoa se extrai um óleo usado na culinária e em produtos de estética, e se fazem cocadas, doces e bolachas. As folhas viram artesanato. O fruto alimenta papagaios, periquitos e outros animais da Caatinga. Veja o post Licuri, o coquinho da Bahia.

5. Umburana-de-cheiro (Amburana cearensis)

Trono da Umburana-de-cheiro (Amburana cearensis)

A umburana-de-cheiro é uma árvore da família das leguminosas (Fabaceae), característica da Caatinga e do Cerrado. No Nordeste também é chamada de imburana-de-cheiro, cumaru e cumaru-do-Ceará. Na Caatinga costuma chegar a cerca de 10 metros de altura. A casca tem cor marrom-avermelhada e se solta em camadas. A casca e as sementes contêm cumarina, composto de aroma característico, e a madeira é usada para armazenar e envelhecer cachaça.

Na medicina popular, a casca e as sementes são usadas, sobretudo, em problemas respiratórios, como o povo Tapeba, no Ceará, e o povo Fulni-ô, em Pernambuco, que também lhe atribui importância religiosa. Isso não significa que o uso seja seguro ou eficaz para qualquer pessoa, e não indicamos o uso sem orientação de um profissional de saúde. A espécie é classificada como ameaçada (Endangered) pela IUCN, principalmente pela perda de habitat.

6. Pinhão-bravo (Jatropha mollissima)

Planta Pinhão-bravo (Jatropha mollissima)

O pinhão-bravo é um arbusto ou árvore pequena, de 1 a 3 metros, endêmica da Caatinga, com ocorrência do Piauí à Bahia e ao norte de Minas Gerais. O caule é ereto e liso, e a casca se solta em lâminas finas. As flores vão do vermelho ao laranja e ao salmão, e os frutos são cápsulas verdes com três sementes marrom-avermelhadas. Cresce em várzeas e coloniza áreas degradadas, e suas flores fornecem pólen para abelhas nativas na época das chuvas.

É usado como cerca viva, no controle de erosão e como ornamental, e o óleo das sementes serve para fazer tinta e sabão. Na medicina popular, o látex é usado para ajudar na cicatrização de feridas. Não use sementes ou látex sem orientação: plantas desse gênero podem ser tóxicas, e não há dados confiáveis de uso seguro. Atenção: o pinhão-bravo não é o mesmo que o pinhão-manso (Jatropha curcas), espécie de outra origem, que tem frutos que não abrem sozinhos.

Bromélias da Caatinga

7. Gravatá (Aechmea blanchetiana)

Gravatá amarelo em roseta, visto de cima

O gravatá é uma bromélia, da mesma família do abacaxi, de folhas laminares e afuniladas com pequenos espinhos nas pontas. As folhas formam uma roseta que funciona como um tanque e guarda até cerca de 1 litro de água. A cor varia: verde-claro à sombra e amarelo ou laranja-avermelhado sob sol forte. Aranhas, tatus, preás e ratos usam a planta como moradia ou esconderijo, ate mesmo caçadores bebem agua dessa planta. Veja o post Gravatá, a bromélia da caatinga.

Como as plantas da Caatinga sobrevivem à seca?

  • Mandacaru: retém a água do orvalho da noite e tem raízes profundas.
  • Xique-xique: tem raízes bem desenvolvidas, caules que armazenam água e folhas transformadas em espinhos, que reduzem a perda de líquido.
  • Umbuzeiro: armazena água na raiz, em estruturas que os sertanejos chamam de “batata”.
  • Licuri: as folhas conduzem o orvalho da noite até o caule.
  • Gravatá: a roseta de folhas funciona como um tanque de água.

Ameaças às plantas da Caatinga

As plantas da Caatinga sofrem com o desmatamento, as queimadas e a retirada de exemplares. O licuri é arrancado e queimado, o gravatá é arrancado para uso ornamental e queimado por caçadores e fazendeiros, e o xique-xique também é queimado para alimentar o gado. A umburana-de-cheiro é considerada ameaçada pela perda de habitat. Leia o post Desmatamento na Caatinga.

Perguntas frequentes sobre as plantas da Caatinga

Quais são as principais plantas da Caatinga?

Entre as mais conhecidas estão o mandacaru, o xique-xique, o umbuzeiro, o licuri, o gravatá, a umburana-de-cheiro e o pinhão-bravo, apresentados neste guia.

Como as plantas da Caatinga resistem à seca?

Elas guardam água em caules, raízes e folhas, têm raízes profundas, folhas reduzidas ou transformadas em espinhos e, em alguns casos, aproveitam o orvalho da noite.

Qual a diferença entre mandacaru e xique-xique?

O mandacaru é alto e lembra um candelabro, enquanto o xique-xique é baixo e forma touceiras. Veja mais no post Xique-xique e seus benefícios.

Qual a diferença entre pinhão-bravo e pinhão-manso?

O pinhão-bravo (Jatropha mollissima) é nativo e endêmico da Caatinga e tem frutos que abrem sozinhos. O pinhão-manso (Jatropha curcas) tem origem na América Central e frutos que não abrem sozinhos.

Umburana-de-cheiro e cumaru são a mesma árvore?

No Nordeste, a Amburana cearensis recebe vários nomes populares, entre eles umburana-de-cheiro, imburana-de-cheiro, cumaru e cumaru-do-Ceará.

Quais plantas da Caatinga estão ameaçadas?

A umburana-de-cheiro é classificada como ameaçada pela IUCN, por causa da perda de habitat. O licuri, o gravatá e o xique-xique sofrem com arranque e queimadas.

Fontes consultadas

As informações sobre mandacaru, xique-xique, umbuzeiro, licuri e gravatá vêm dos posts do blog, que trazem observações de campo do autor. As demais vêm das fontes abaixo.

Última atualização: outubro de 2026. Este guia será ampliado com novas espécies.

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Gabriel Bahia

Gabriel Bahia

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