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Rato-cabudo (Calomys expulsus): características, habitat e curiosidades

O rato-cabudo (Calomys expulsus) é um roedor silvestre pequeno, com cerca de 10 cm de corpo e uns 28 gramas, que vive em áreas abertas de Caatinga, Cerrado e Mata Atlântica. No sertão, costuma morar em locas de pedras e sair à noite para buscar frutos, como o licuri. Tem o dorso castanho, a barriga esbranquiçada e é classificado como pouco preocupante quanto ao risco de extinção.

Rato-cabudo, pequeno roedor de pelagem castanho-acinzentada e cauda fina, junto a uma rocha

Características do rato-cabudo

  • Tamanho: o comprimento do corpo é de cerca de 10 cm (99,7 mm, em média), e o peso médio é de 28 gramas.
  • Pelagem: no gênero Calomys, o dorso varia de castanho-acinzentado a castanho-amarelado, com as laterais mais claras e o ventre esbranquiçado.
  • Detalhes marcantes: tufos de pelos brancos na base, atrás das orelhas curtas, e cauda fina, escura em cima e clara embaixo.
  • Família: pertence à família Cricetidae, a dos roedores sigmodontíneos. Não é parente próximo do rato de esgoto nem do camundongo doméstico.

Onde vive o rato-cabudo?

Segundo a ficha oficial do ICMBio, o rato-cabudo é endêmico do Brasil e ocupa paisagens abertas com cobertura de gramíneas, que podem ser naturais ou áreas florestais convertidas em pastagem. Os ambientes registrados incluem o Cerrado, a Caatinga (classificada como savana estépica) e a floresta estacional semidecidual.

No sertão, o rato-cabudo vive em ambientes com pedras e se abriga em locas entre as rochas e em buracos nas pedras. Como contamos no post sobre o xique-xique, ele também faz toca por baixo dos ramos dessa planta, junto com o preá, e usa os espinhos como uma verdadeira fortaleza.

Hábitos do rato-cabudo no sertão

Os hábitos abaixo vêm da observação de quem vive na região onde o animal ocorre. Eles complementam a literatura científica, que ainda tem poucos estudos sobre a espécie.

  • Horário: tem hábitos noturnos. Durante o dia fica na toca e, à noite, sai para caçar comida.
  • Alimentação: gosta muito de comer licuri (também chamado de nicuri ou ouricuri), que ele consegue roer com perfeição. Também come várias frutas, como o maracujá-do-mato, pequenas batatas e pequenos insetos.
  • Despensa: costuma levar bastante licuri para a toca.
  • Caça: é muito caçado no sertão por causa da carne, que é saborosa.

Qual a importância do rato-cabudo para a Caatinga?

O rato-cabudo ajuda a espalhar sementes. Ao carregar sementes de plantas e licuris até a toca, ele deixa cair parte delas pelo caminho, o que faz uma semeadura natural. Ele também faz parte da cadeia alimentar: serve de alimento para vários predadores, entre eles a suindara, também chamada de coruja-de-igreja, que é um predador documentado da espécie. Veja também o post 10 importantes animais da Caatinga.

Atenção: o nome científico ainda é discutido

A classificação desse grupo de roedores está em revisão. A ficha do ICMBio (2024) restringe Calomys expulsus a Minas Gerais, Espírito Santo e sul da Bahia e explica que muitos registros antigos pertenciam a espécies muito parecidas, entre elas uma proposta como Calomys mattevii, que ocorre na Caatinga. Já outras bases de dados ainda tratam essa espécie como sinônimo de C. expulsus. Por isso, o nome científico usado para os ratos-cabudos do sertão pode mudar no futuro.

O rato-cabudo está ameaçado de extinção?

Segundo a avaliação oficial, não. A espécie é classificada como Menos Preocupante (LC) no Brasil e no mundo. O ICMBio afirma que ela é comum e fácil de ser coletada, e que suas populações podem aumentar rapidamente após distúrbios no ambiente, a ponto de se tornarem pragas agrícolas. A destruição do habitat ocorre, mas não é considerada uma grande ameaça. Na prática, quem vive no sertão relata que o animal é muito caçado.

O que ainda falta saber

Sobre a reprodução do rato-cabudo, ainda há pouca informação confiável. O ICMBio explica que muitos trabalhos antigos sobre a ecologia do grupo não podem ser atribuídos com segurança a C. expulsus, por causa da semelhança com outras espécies. Por isso, observações de campo como as deste post são valiosas.

Perguntas frequentes sobre o rato-cabudo

O que é o rato-cabudo?

É um roedor silvestre pequeno, de pelagem castanha e barriga clara, que vive em áreas abertas do Brasil, como Caatinga e Cerrado. No sertão, costuma morar em locas entre pedras.

O que o rato-cabudo come?

Segundo relatos de quem vive no sertão, ele gosta muito de licuri (também chamado de nicuri ou ouricuri), que roe com perfeição e leva para a toca. Também come várias frutas, como o maracujá-do-mato, pequenas batatas e pequenos insetos.

Onde o rato-cabudo faz a toca?

Em ambientes com pedras, em locas entre as rochas e em buracos nas pedras. Também pode fazer toca por baixo dos ramos de plantas espinhosas, como o xique-xique.

O rato-cabudo tem hábitos noturnos?

Sim. Durante o dia fica mais na toca e, à noite, sai para procurar comida.

Qual é o nome científico do rato-cabudo?

O nome usado é Calomys expulsus, mas a classificação está em revisão. Os ratos-cabudos da Caatinga podem pertencer a uma espécie parecida, proposta como Calomys mattevii.

O rato-cabudo é o mesmo que o rato comum?

Não. É um roedor silvestre nativo, da família Cricetidae, diferente do rato de esgoto e do camundongo doméstico, que são de outra família.

O rato-cabudo está ameaçado de extinção?

Pela avaliação do ICMBio e da IUCN, não: é classificado como Menos Preocupante (LC). Mesmo assim, é muito caçado em algumas regiões do sertão.

O rato-cabudo transmite doenças?

Como qualquer animal silvestre, ele pode carregar parasitas. Um estudo antigo registrou infecção natural por Trypanosoma cruzi, o causador da doença de Chagas, em roedores atribuídos à espécie, mas o ICMBio alerta que relatos antigos sobre o grupo podem misturar espécies parecidas. Evite pegar ou manusear animais silvestres.

Fontes consultadas

Os hábitos do rato-cabudo no sertão (alimentação, toca, horário e caça) são relato de campo do autor. As demais informações vêm das fontes abaixo.

Última atualização: outubro de 2026.

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Gabriel Bahia

Gabriel Bahia

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