Animais ameaçados da Caatinga

Animais ameaçados da Caatinga: 7 espécies e o que as ameaça

Animais endêmicos são os que só existem em uma determinada região, e animais ameaçados são os que correm risco de desaparecer. Na Caatinga, entre os que se encaixam nas duas situações estão a arara-azul-de-lear, o soldadinho-do-araripe, o guigó-da-caatinga, o tatu-bola e a ararinha-azul, hoje extinta na natureza. Neste guia você conhece 7 espécies, com a classificação oficial de cada uma e o que as ameaça.

O que significa endêmico e ameaçado de extinção?

Um animal endêmico ocorre apenas em uma região. Pode ser endêmico do Brasil, da Caatinga ou até de um único local, como o soldadinho-do-araripe, que só existe na Chapada do Araripe. Já o grau de ameaça é medido por listas oficiais, como a lista nacional do Ministério do Meio Ambiente (Portaria MMA nº 148/2022), feita a partir de avaliações do ICMBio, e a Lista Vermelha da IUCN. As categorias vão de “pouco preocupante” a “vulnerável”, “em perigo”, “criticamente em perigo” e “extinta na natureza”.

Atenção: a classificação de uma espécie pode ser diferente na lista nacional e na da IUCN, e muda com o tempo. Por isso, a tabela abaixo indica a fonte de cada classificação.

Resumo: 7 animais ameaçados e endêmicos da Caatinga

AnimalGrupoOnde ocorreSituaçãoFonte
Ararinha-azulAveNorte da Bahia (Juazeiro e Curaçá)Extinta na naturezaMMA (2002)
Arara-azul-de-learAveBahia (Raso da Catarina)Em perigoIUCN
Soldadinho-do-araripeAveChapada do Araripe (CE)Criticamente em perigoIUCN
ZabelêAveCaatinga e Minas GeraisVulnerávelIUCN
Guigó-da-caatingaMamíferoCaatinga da Bahia e de SergipeEm perigoICMBio (2019)
Tatu-bolaMamíferoCaatinga e Cerrado (endêmico do Brasil)Em perigo na lista nacional; vulnerável na IUCNICMBio e IUCN
MocóMamíferoCaatinga (endêmico do Brasil)VulnerávelLivro Vermelho (2018)

Aves ameaçadas da Caatinga

1. Ararinha-azul (Cyanopsitta spixii)

A ararinha-azul mede de 55 a 60 cm e vivia em matas ao longo do rio São Francisco, no norte da Bahia, nos municípios de Juazeiro e Curaçá. O último indivíduo da natureza desapareceu por volta de 2000 e 2001, e a espécie é classificada como extinta na natureza. Em 2022, foram soltas aves em Curaçá, e em 2023 nasceu o primeiro filhote livre em 37 anos. Em novembro de 2025, uma contaminação por circovírus levou à captura das aves que viviam soltas.

2. Arara-azul-de-lear (Anodorhynchus leari)

A arara-azul-de-lear mede de 70 a 75 cm e é endêmica da Bahia, na região do Raso da Catarina. Prefere os frutos do licuri, além de frutos de braúna e de cactos, e faz ninho em paredões de arenito. Foi descrita em 1856 a partir de exemplares de museu, e seu local de vida só foi encontrado em 1978, pelo ornitólogo Helmut Sick. É classificada como em perigo pela IUCN, e o tráfico de animais e a destruição do habitat são as principais ameaças.

3. Soldadinho-do-araripe (Antilophia bokermanni)

Tem cerca de 14,5 cm. O macho é branco, com penas pretas das asas até o dorso e a cabeça vermelha, e a fêmea é verde-oliva. Só existe na Floresta Nacional do Araripe, no Ceará, em Barbalha, Araripe, Crato e Missão Velha. Foi descoberto em 1996 e é classificado pela IUCN como criticamente em perigo. Estimativas de 2003 e 2004 apontavam menos de 250 indivíduos, e parte do habitat já foi trocada por plantações de banana.

4. Zabelê (Crypturellus zabele)

O zabelê é uma ave da família dos inhambus, com 33 a 36 cm, que vive nas matas da Caatinga e de Minas Gerais. Come sementes, bagas, pequenas frutas e insetos e tem um canto forte, de três ou quatro notas. Foi reconhecido como espécie própria em 2021 e é classificado pela IUCN como vulnerável.

Mamíferos ameaçados e endêmicos da Caatinga

5. Guigó-da-caatinga (Callicebus barbarabrownae)

O guigó-da-caatinga, também chamado de sauá-loiro e pangola, é um pequeno primata endêmico do Brasil, que ocorre na Caatinga da Bahia e de Sergipe. Tem pelagem densa, com pelos claros, amarelados ou esbranquiçados, na testa, na garganta e no tronco, orelhas negras e cauda laranja. Vive em pequenos grupos familiares, em geral formados por um casal com um ou dois filhotes, é tímido e tem um grito alto que pode ser ouvido a até 1 km de distância.

Não há estudos específicos sobre a dieta, mas observações de campo sugerem que come sementes, frutos, folhas de bromélias, raízes, invertebrados, pequenos vertebrados e gomas de árvores. A ficha do ICMBio (2019) o classifica como em perigo: há menos de 1.100 indivíduos maduros, e a população está em declínio por causa da perda, da degradação e da fragmentação do habitat. Entre as ameaças estão a expansão urbana, a agropecuária, a mineração, as usinas eólicas e solares, as estradas, as queimadas, a caça ilegal e a presença de predadores domésticos. Entre 2005 e 2016, a cobertura florestal na área em que vive perdeu 11%.

6. Tatu-bola (Tolypeutes tricinctus)

Tatu-bola (Tolypeutes tricinctus) na Caatinga

O tatu-bola é endêmico do Brasil e vive na Caatinga e no Cerrado. Mede de 22 a 27 cm de corpo, pesa de 1 a 1,6 kg e é um dos poucos tatus capazes de se enrolar completamente em bola, com a cabeça e a cauda travando a carapaça. Come principalmente formigas e cupins, além de moluscos, minhocas, frutas e carniça. Ao cavar buracos para se esconder e procurar comida, ele areja o solo e ajuda a manter a vegetação. É classificado como em perigo na lista nacional e como vulnerável pela IUCN (2014). A caça e a perda de habitat são as principais ameaças, e a avaliação da IUCN estimou uma queda superior a 30% da população em 10 a 15 anos. Foi o mascote da Copa do Mundo de 2014, o Fuleco.

7. Mocó (Kerodon rupestris)

Mocó (Kerodon rupestris), roedor da Caatinga

O mocó é um roedor da família dos caviídeos, endêmico do Brasil e típico da Caatinga. Vive em fendas e rachaduras de formações rochosas, tem cerca de 50 cm de comprimento e pesa entre 700 e 900 gramas. Segundo o Livro Vermelho da fauna brasileira (2018), é vulnerável, por causa da caça e da destruição do habitat.

Por que esses animais estão ameaçados?

  • Perda de habitat: desmatamento, expansão urbana, agropecuária, mineração e estradas reduzem e dividem as áreas onde os animais vivem.
  • Caça: o tatu-bola e o mocó são caçados, e o guigó-da-caatinga também sofre com a caça ilegal.
  • Tráfico de animais: é uma das principais ameaças às araras e a outras aves.
  • Queimadas: destroem o habitat e as tocas.
  • Mudanças climáticas: segundo o ICMBio, podem reduzir em até 33% as áreas adequadas ao guigó-da-caatinga.

Leia também o post Desmatamento na Caatinga.

O que podemos fazer?

  • Não comprar nem criar animais silvestres, e denunciar a captura e o tráfico aos órgãos ambientais, como o Ibama.
  • Não caçar e não ajudar quem caça. No Brasil, a caça de animais silvestres sem autorização é crime ambiental.
  • Evitar queimadas e denunciar incêndios.
  • Preservar a vegetação nativa e apoiar a criação e a proteção de áreas naturais.
  • Compartilhar informação: muita gente não sabe que esses animais existem.

Perguntas frequentes sobre animais ameaçados da Caatinga

Quais animais da Caatinga estão ameaçados de extinção?

Entre os mais conhecidos estão a ararinha-azul (extinta na natureza), a arara-azul-de-lear, o soldadinho-do-araripe, o zabelê, o guigó-da-caatinga, o tatu-bola e o mocó.

O que são animais endêmicos?

São animais que só existem em uma determinada região. Podem ser endêmicos do Brasil, de um bioma, como a Caatinga, ou de um local ainda menor.

Quais animais só existem na Caatinga?

Exemplos de animais com ocorrência restrita à região são a arara-azul-de-lear, o soldadinho-do-araripe e o guigó-da-caatinga, que vive na Caatinga da Bahia e de Sergipe. O tatu-bola e o mocó são endêmicos do Brasil.

O tatu-bola está em extinção?

Está ameaçado. É classificado como em perigo na lista nacional de espécies ameaçadas e como vulnerável pela IUCN. A caça e a perda de habitat são as principais causas.

A ararinha-azul está extinta?

Está classificada como extinta na natureza, ou seja, só existe em cativeiro. Desde 2022 há um projeto de reintrodução em Curaçá, na Bahia, que enfrentou dificuldades em 2025.

Qual o primata da Caatinga que está ameaçado?

O guigó-da-caatinga (Callicebus barbarabrownae), classificado como em perigo pelo ICMBio. Vive na Caatinga da Bahia e de Sergipe.

Fontes consultadas

A informação sobre o tatu-bola ser caçado e ajudar a arejar o solo, e sobre o mocó, vem também de posts do blog. As classificações e dados abaixo vêm das fontes oficiais e de enciclopédias.

Última atualização: outubro de 2026. As classificações de ameaça mudam com novas avaliações. Confira sempre a lista oficial mais recente do ICMBio e da IUCN.

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Gabriel Bahia

Gabriel Bahia

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