As aves da Caatinga incluem espécies muito conhecidas, como a asa-branca, o sofrê e o carcará, e algumas das aves mais ameaçadas do Brasil, como a ararinha-azul e a arara-azul-de-lear. Neste guia você conhece 9 espécies, com nome científico, tamanho e curiosidades.
Resumo: 9 aves da Caatinga
| Ave | Nome científico | Tamanho | Destaque |
|---|---|---|---|
| Asa-branca | Patagioenas picazuro | 34 cm (macho) | Maior pomba do Brasil, cantada por Luiz Gonzaga |
| Sofrê (corrupião) | Icterus jamacaii | 23 a 26 cm | Plumagem laranja e preta e canto melancólico |
| Periquito-da-caatinga | Eupsittula cactorum | cerca de 25 cm | Vive em bandos e dispersa sementes |
| Carcará | Caracara plancus | 50 a 60 cm | Parente dos falcões, símbolo na cultura nordestina |
| Cardeal-do-nordeste | Paroaria dominicana | cerca de 17 cm | Cabeça vermelha, também chamado de galo-de-campina |
| Arara-azul-de-lear | Anodorhynchus leari | 70 a 75 cm | Endêmica da Bahia, prefere frutos do licuri |
| Ararinha-azul | Cyanopsitta spixii | 55 a 60 cm | Extinta na natureza, com projeto de reintrodução |
| Zabelê | Crypturellus zabele | 33 a 36 cm | Ave de chão da Caatinga, classificada como vulnerável |
| Soldadinho-do-araripe | Antilophia bokermanni | 14,5 cm | Só existe na Chapada do Araripe, no Ceará |
Aves conhecidas da Caatinga
1. Asa-branca (Patagioenas picazuro)

A asa-branca é a maior pomba do Brasil: o macho chega a 34 cm. Ela leva esse nome por causa da faixa branca nas asas cinzentas e tem um anel avermelhado em volta dos olhos. Come grãos e sementes, o que ajuda a espalhar sementes e a regenerar a vegetação, e vive em campos, bordas de mata e até em cidades. Inspirou a canção “Asa Branca”, de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira, que fala da resistência do sertanejo diante da seca.
2. Sofrê ou corrupião (Icterus jamacaii)

O sofrê, também chamado de corrupião, mede de 23 a 26 cm e tem plumagem laranja e preta, com manchas brancas nas asas. É endêmico do Brasil e tem um canto belíssimo, além de imitar o canto de outras aves. Come frutos, sementes, insetos, aranhas, néctar e frutos de cactos. Pode construir o próprio ninho, mas costuma ocupar ninhos de outras espécies. Veja o post O corrupião (sofrê).
3. Carcará (Caracara plancus)

O carcará não é águia nem gavião, e sim um parente distante dos falcões. Mede de 50 a 60 cm, tem envergadura de cerca de 1,2 metro, crista preta e bico curvo. Come de tudo: pequenos vertebrados, insetos, frutas e carniça. Anda bastante no chão e costuma ser visto perto de estradas e de áreas queimadas. Aparece na cultura nordestina em música gravada por Maria Bethânia e como mascote de times e corporações da região.
4. Cardeal-do-nordeste (Paroaria dominicana)

O cardeal-do-nordeste, também chamado de galo-de-campina, tem cerca de 17 cm, cabeça e garganta vermelhas, abdômen branco e dorso acinzentado. Vive em bandos, é muito comum no Nordeste e come sementes, frutinhas e insetos. Junto com o sofrê, ajuda a dispersar as sementes dos cactos, como o mandacaru. É classificado como pouco preocupante quanto ao risco de extinção.
5. Periquito-da-caatinga (Eupsittula cactorum)

Pequeno, verde e com detalhes alaranjados, o periquito-da-caatinga mede cerca de 25 cm e vive em bandos barulhentos. Come sementes, frutas, brotos e flores e ajuda a espalhar sementes pela região. A captura ilegal e a destruição do habitat são suas maiores ameaças. Veja o post Periquito-da-caatinga.
Aves ameaçadas da Caatinga
6. Arara-azul-de-lear (Anodorhynchus leari)

A arara-azul-de-lear mede de 70 a 75 cm, tem plumagem azul-cobalto e uma mancha amarelada ao redor dos olhos. É endêmica da Bahia, na região do Raso da Catarina, e prefere os frutos do licuri, além de frutos de braúna e de cactos. Faz ninho em paredões de arenito, em nichos escavados na rocha, e se reproduz entre novembro e março. Foi descrita em 1856 a partir de exemplares de museu, e seu local de vida só foi encontrado em 1978, pelo ornitólogo Helmut Sick. É classificada como em perigo pela IUCN, e o tráfico de animais e a destruição do habitat são as principais ameaças.
7. Zabelê (Crypturellus zabele)

O zabelê é uma ave da família dos inhambus (Tinamidae), com 33 a 36 cm, que vive nas matas da Caatinga e de Minas Gerais. Come sementes, bagas, pequenas frutas e insetos e tem um canto forte, de três ou quatro notas. Os ovos têm cor verde-água, em ninhadas de dois ou três. Foi reconhecido como espécie própria em 2021 e é classificado como vulnerável pela IUCN.
8. Soldadinho-do-araripe (Antilophia bokermanni)

O soldadinho-do-araripe tem cerca de 14,5 cm. O macho é branco, com penas pretas das asas até o dorso e a cabeça vermelha, que lembra um capacete. A fêmea é verde-oliva. Só existe na Floresta Nacional do Araripe, no Ceará, nos municípios de Barbalha, Araripe, Crato e Missão Velha. Foi descoberto em 1996 e é classificado como criticamente em perigo. Estimativas de 2003 e 2004 apontavam menos de 250 indivíduos, e parte do habitat já foi trocada por plantações de banana.
Aves e plantas da Caatinga
- Licuri: alimenta a arara-azul-de-lear, o periquito-da-caatinga e outros papagaios e periquitos. Veja o post Licuri, o coquinho da Bahia.
- Mandacaru e xique-xique: o sofrê e o cardeal-do-nordeste comem os frutos e ajudam a espalhar as sementes.
- Asa-branca: ao comer sementes, ajuda na regeneração da vegetação.
Ameaças às aves da Caatinga
O tráfico de animais silvestres, a captura ilegal e a destruição do habitat estão por trás do desaparecimento de várias aves, como a ararinha-azul e a arara-azul-de-lear. O periquito-da-caatinga também sofre com a captura de filhotes, e o soldadinho-do-araripe perdeu parte da mata para plantações. Para entender o problema do desmatamento, leia Desmatamento na Caatinga.
Perguntas frequentes sobre as aves da Caatinga
Quais são as aves da Caatinga?
Entre as mais conhecidas estão a asa-branca, o sofrê (corrupião), o carcará, o cardeal-do-nordeste e o periquito-da-caatinga. Há também aves raras e ameaçadas, como a arara-azul-de-lear, a ararinha-azul, o zabelê e o soldadinho-do-araripe.
Qual é a ave símbolo do Nordeste?
Não há uma só resposta, mas a asa-branca, cantada por Luiz Gonzaga, e o carcará, tema de música gravada por Maria Bethânia, estão entre as aves mais lembradas na cultura nordestina.
Quais aves da Caatinga estão ameaçadas de extinção?
A ararinha-azul está extinta na natureza, a arara-azul-de-lear é classificada como em perigo, o soldadinho-do-araripe como criticamente em perigo e o zabelê como vulnerável.
Quais aves comem licuri?
A arara-azul-de-lear prefere os frutos do licuri. O periquito-da-caatinga e outros papagaios e periquitos também se alimentam do licuri maduro.
Quais aves comem o fruto do mandacaru?
O sofrê e o cardeal-do-nordeste, também chamado de galo-de-campina, estão entre as aves que comem os frutos dos cactos e ajudam a espalhar as sementes.
Qual a diferença entre a ararinha-azul e a arara-azul-de-lear?
A ararinha-azul (Cyanopsitta spixii) é menor, com 55 a 60 cm, e está extinta na natureza. A arara-azul-de-lear (Anodorhynchus leari) mede de 70 a 75 cm e vive, na natureza, na região do Raso da Catarina, na Bahia.
Fontes consultadas
As informações sobre o sofrê, o periquito-da-caatinga, o licuri e o mandacaru vêm dos posts do blog, que trazem observações de campo do autor. As demais vêm das fontes abaixo.
- Patagioenas picazuro (asa-branca), Wikipédia
- Corrupião (Icterus jamacaii), Wikipédia
- Carcará (Caracara plancus), Wikipédia
- Cardeal-do-nordeste (Paroaria dominicana), Wikipédia
- Arara-azul-de-lear (Anodorhynchus leari), Wikipédia
- Ararinha-azul (Cyanopsitta spixii), Wikipédia
- Zabelê (Crypturellus zabele), Wikipédia
- Soldadinho-do-araripe (Antilophia bokermanni), Wikipédia
Última atualização: outubro de 2026. O status de conservação das espécies pode mudar, então confira as fontes oficiais, como o ICMBio e a IUCN.




